Você já deve ter ouvido uma frase que diz que “Não existe almoço grátis”. O pensamento expressa o pensamento que nada vem de mão beijada nessa vida.

Mas uma startup quer mostrar que o sentido literal dessa frase não faz mais sentido: a Almoço Grátis, que, como o nome já diz, paga as refeições de seus usuários.

Mas no fim, a frase do almoço grátis, popularizado pelo autor de ficção científica Robert Heinlein e pelo economista Milton Friedman, faz sentido. A refeição sai “na faixa” em troca da avaliação dos restaurantes parceiros da startup.

A ideia que culminou na Almoço Grátis surgiu no fim de 2015. Enquanto estavam em um restaurante – e eram mal atendidos – os empreendedores Lucas Judice e Daniel Modenesi, ambos capixabas e com 34 anos, começaram a pensar em um produto que contribuísse para o aumento da qualidade de restaurantes e lanchonetes.

“Percebemos que era preciso ouvir os consumidores e criar uma metodologia que fizesse com que o cliente fizesse uma análise mais aprofundada e justa do serviço prestado a ele. Concluímos que dar a refeição seria um incentivo interessante para o cliente e que o nome Almoço Grátis chamaria a atenção”, diz Judice.

Depois das primeiras conversas em 2015, começou o desenvolvimento da startup. Em outubro de 2016, foi lançada uma versão beta do serviço. Já em junho do ano passado, houve o lançamento oficial da empresa. Hoje, também são sócios o carioca Paulo Costa, 53, e o capixaba Raonny Lourenço, 32.

O serviço funciona assim: os interessados precisam acessar o site da empresa. Após um cadastro, são mostrados os restaurantes parceiros mais próximos do usuário. Ao escolher o estabelecimento que mais lhe interessar, o cliente reservará um cupom.

Na hora de ir ao restaurante, no entanto, o usuário pagará a conta com o dinheiro dele – assim, segundo a empresa, a avaliação se torna “secreta”, já que ninguém do estabelecimento sabe que aquele cliente tem o poder de dizer o que foi bom e o que foi ruim na sua experiência.

Após a visita, o cliente deve voltar ao site da Almoço Grátis e preencher a avaliação, em um processo que leva cerca de três minutos. Se tudo estiver certo, a startup reembolsa o cliente em dois dias corridos.

 

Há um porém: a Almoço Grátis reembolsa o valor correspondente ao tíquete-médio dos restaurantes parceiros. Por exemplo, os cupons do Burger King dão R$ 25 de desconto. “Mas dependendo do local, dá pra conseguir até R$ 220 off”, diz Judice.

Mas antes da Almoço Grátis, restaurantes já davam lanches e sobremesas em troca da avaliação. Por que as empresas deveriam dar uma refeição inteira em vez de apenas uma parte dela, sendo que os custos são mais baixos? Judice justifica. “Quando alguém responde uma pesquisa para ganhar um brinde, é normal que a pessoa responda rápido só para ganhar o bônus, o que responda positivamente para não ter o risco de perder o presente. Assim, o restaurante não tem informações realmente relevantes.”

Outro ponto importante sobre o serviço, de acordo com seu fundador, é que o Almoço Grátis não é visto como um simples canal de desconto. “Somos um canal de comunicação. Além de querer uma refeição grátis, nossa base de usuários quer contribuir para que a experiência seja melhor”, afirma Judice.

A startup não só entrega as avaliações aos clientes, mas mostra o que eles precisam fazer para satisfazer seus clientes.

Atualmente, a Almoço Grátis trabalha com cerca de 300 restaurantes em 52 cidades – a presença mais forte do serviço é em São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. Dentre as marcas que oferecem descontos no site, destacam-se Burger KingMexclaSpoletoPizza HutGiraffas e Coco Bambu, entre outras.

De acordo com Judice, a startup já tem uma base de 80 mil usuários e já deu R$ 800 mil em descontos para os usuários. Recentemente, a empresa recebeu um investimento dos fundos Bossa Nova e do BMG UpTech para expandir suas operações.

Esse crescimento, inclusive, pode ocorrer no exterior, já que um dos planos para o futuro da Almoço Grátis é levar o serviço para os Estados Unidos.

Um fator que pode facilitar a internacionalização é que Judice mora no país há cinco anos – ele se divide entre Los Angeles e Vitória, passando metade do mês em cada uma das cidades. “O mercado americano valoriza muito a análise de dados, então temos uma oportunidade de negócio lá. Vamos começar testes nos EUA em até 10 meses”, diz Judice.

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