“Comecei a atuar com tecnologia em 1996, quando eu morava em Goiânia. A internet estava começando no Brasil. Existia, na época, uma ferramenta de bate-papo internacional chamada IRC. Cerca de 20 amigos virtuais e eu usamos essa rede para criar a Brasnet, uma sub-rede que se desdobrou em vários canais e chegou a atingir picos de 97 mil pessoas simultaneamente — um número imenso para a época. Foi então que eu comecei informalmente a UPX, para inserir robôs que monitoravam e barravam conteúdos impróprios 24 horas por dia. Eu alugava o serviço por R$ 15 ao mês. Além disso, lancei um serviço de streaming para atender as rádios dos canais da Brasnet — eram as primeiras da internet brasileira. Nosso grupo desenvolvia essas tecnologias, cada um com sua especialidade tecnológica. Éramos todos autodidatas.”

Streaming
“A UPX foi fundada oficialmente em dezembro de 2002, com foco no streaming. A tecnologia permite acessar áudio e vídeo pela internet sem precisar de download. Hoje isso é bastante difundido, mas naquela época não existia nenhuma empresa que exercesse essa atividade no Brasil. Trabalhávamos com streaming de áudio, principalmente ao vivo. Em 2004, já com uma pequena rede de servidores formada, tínhamos conquistado espaço no mercado. Participávamos de feiras e fazíamos um trabalho comercial forte. Uma novidade trouxe o grande boom. Por causa de uma exigência das agências de publicidade, as rádios passaram a transmitir sua programação online. Cerca de 2.700 emissoras de todo o país tiveram de adotar o streaming. Naquela época, conquistamos a Nova Brasil FM, a CBN, a Jovem Pan e outras que estão conosco até hoje. De 2004 a 2006, tivemos um crescimento exponencial, uma média de 1.000% por semestre. Aumentamos a equipe, o tamanho do escritório e o parque computacional.”

Portfólio
“Em 2008, tivemos de fechar a Brasnet. A rede não gerava dinheiro e era alvo constante de ataques de vírus. Àquela altura, a UPX já ia bem. Havíamos agregado ao streaming o serviço de CDN (content delivery network), um acelerador de sites necessário para o comércio eletrônico, que trabalha com muitas imagens e precisa de carregamento instantâneo. Assim aumentamos nosso portfólio. Ampliamos a clientela, que até então era de empresas de comunicação, atraindo outros tipos de indústria, como o comércio eletrônico e os portais de notícias. Esses sites eram alvo sistemático de DDoS (ataques de negação de serviço), em que vários computadores infectados geram uma carga excessiva e provocam a queda do sistema. Então, montamos uma defesa para esses clientes, o que nos abriu a atuação na área de segurança da internet. Isso já foi em meados de 2013. Os produtos de segurança atraíram ainda mais empresas, como provedores de internet, datacenters e bancos.”

Segurança
“No início de 2016, desenvolvemos uma nova plataforma de segurança, agora com inteligência e gestão de informação. Mudamos a ênfase de nossos serviços e já temos capacidade para trabalhar com as maiores empresas do país. Por exemplo: a Companhia Brasileira de Alumínio não precisa de streaming nem de CDN, porque o site não tem fluxo alto, mas os dados da empresa podem ser alvo de vazamento, o que nossa plataforma detecta. A UPX não fica para trás porque se mantém na vanguarda, tanto no que tange à tecnologia quanto no atendimento a vários segmentos.

Mesmo o streaming, que hoje sofre com a concorrência gratuita, ainda responde por 10% do nosso faturamento, que está na casa dos R$ 30 milhões. Nosso desafio é entregar um serviço cada vez mais sofisticado: oferecemos relatórios de audiência, estabilidade da transmissão e segurança com login, itens que a ferramenta gratuita não dá. A maioria dos conteúdos pagos, como os do ensino a distância, está conosco.

Na área de segurança, oferecemos dois produtos: o Vantage Point Security, um software que roda em nuvem, e a IP Transit Security, um sistema pelo qual a UPX filtra os ataques e não deixa que as ameaças cheguem às redes de nossos clientes. O Vantage Point trabalha a parte de inteligência, monitorando até mesmo a deep web e identificando a invasão de possíveis informações sigilosas, como dados de cartões de crédito, que são comunicadas aos bancos. O Wannacry, aquele malware responsável pelo ataque mundial que teve como alvo usuários de Windows,  em maio deste ano, pôde ser prevenido por quem utilizava essa plataforma.”

Equipes
“Minha gestão na UPX é um pouco diferente das outras. Contamos com os departamentos tradicionais, mas cada um tem um líder com liberdade para criar a própria equipe e seus esquemas de trabalho. Eu concluí que os funcionários de cada área possuem interesses e rotinas diferentes. Quis transformar as culturas setoriais internas numa cultura única, que permita criar produtos com contribuições múltiplas. Essa rotina começa com uma ideia que surge das demandas de clientes. Eu identifico essa necessidade com o departamento comercial, construo o projeto e jogo para o time desenvolver. Criei esse esquema lendo sobre as experiências de outros negócios. Antes, eu não entendia por que certos profissionais saíam da empresa. Aprendi que, apesar de ganhar bons salários, eles não tinham a liberdade desejada para fazer o que mais sabiam fazer.”

Flexibilidade
“Hoje, a área de segurança representa 70% do faturamento da empresa. Os clientes de streaming são 10%, e os de CDN, 20%. Estamos transitando de tamanho médio para grande. Essa evolução se deve ao fato de eu não ter restringido a liberdade de movimento da empresa. Nunca aceitei investidores externos, porque eles comprometem a flexibilidade. A UPX é uma empresa que tem muito recurso em caixa. Se eu quiser criar um produto, tenho capacidade para isso, sem ter de obedecer a metas impostas por outros. No comando estamos apenas eu e minha esposa e sócia, a economista Roberta Prado, que tem participação de 5%. Nossa empresa é como uma lancha de motor de popa diante de transatlânticos — com tamanho menor, mas capacidade de fazer curvas mais rapidamente.

Tenho a perspectiva de crescer 200% neste ano. Agora, quero conquistar o mercado internacional. Meu foco é nos serviços de segurança. Concorremos com gigantes, mas essas empresas costumam oferecer produtos prontos para que os clientes se adaptem. Nossa estratégia é pesquisar o mercado local e oferecer produtos adequados cliente a cliente.”

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