Outro dia entrei em uma padaria, e a Caixa reclamou que estava muito cansada, disse que precisava tirar férias, fez uma breve reclamação do trabalho me deu o troco e eu fui embora.

Fiquei um pouco incomodado com o comentário, tendo em vista que não foi o primeiro e provavelmente não será o último.

Fiquei um pouco triste, porque naquele momento eu tive uma impressão ruim da empresa através dessa colaboradora, não que eu seja contra férias, não que realmente ela não deva tirar férias, mas a conotação de que o trabalho dela é um peso em sua vida me deixa um pouco triste e aborrecido.

Todos nós passamos muito tempo de nossas vidas trabalhando, na verdade grande parte do que somos e fazemos se da por conta de nossos trabalhos, no entanto o estigma negativo e até pejorativo que o trabalho tem para as pessoas nos traz um sentimento de que as vidas de milhares e milhões de pessoas não têm sentindo algum.

Podemos classificar vários fatores, salário, carreira, benefícios, condições de trabalho e outra infinidade de coisas para enumerar o que é bom ou ruim para o trabalhador, sem desmerecer as conquistas, vitórias e derrotas, nada justifica um trabalhador desmotivado.

Não sei se os empregadores também não têm sua parcela de culpa, ao olhar para o seu empregado como uma subclasse social e humana, num escalonamento social e não profissional.

Se invertêssemos os termos e déssemos outra configuração?

Já mudaram os termos empregado para colaborador, mas ambos o contratante e o contratado ainda continuam no mesmo estigma de superioridade e inferioridade.

Escrever e falar são permitidos e não me custa muito, ou quase nada, então vou falar na cara, quem doer doeu.

Já pensou em um colaborador sócio, melhor já pensou num empregador sócio? Por que você não olha para sua empresa em que você trabalha como dono?

Chega de faltar, moleza, tristeza e qualquer coisa menos alegre desafiadora e motivadora, cuide dos clientes como se fossem seus, dos produtos do estoque como se fossem seus, faça o seu melhor.

Na pior das hipóteses, se não der certo você poderá ser contratado para trabalhar num lugar melhor, ou até mesmo poderá aprender o negócio e abrir a sua própria empresa.

Falo o mesmo ao empregador, olhe para seu colaborador com outros olhos, permita que ele de conselhos, decida nas reuniões de suas ideias e faça parte da empresa, os coloque na frente, ouça e fique mais na sua, ele não é seu concorrente, seu inimigo, não tenha medo dele, confie em seus colaboradores.

Se não der certo, no mínimo você será um melhor líder e gerenciador de pessoas, companheiro e empático e motivará outros colaboradores a cooperarem com você.

A palavra do futuro deveria ser essa cooperação e liderança social, pois não sobreviveremos a modernidade sem haver mudanças patrão x empregado.

Fica aqui meu desafio para um novo modelo econômico e social, liderança social e cooperação até breve.

Escrito por Fábio Leite, gerente da ACEPG.

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