Nenhum estado sofreu tanto quanto o Espírito Santo durante a crise econômica brasileira, enquanto Roraima e Pará foram os menos afetados.

Os cálculos são da consultoria Tendências com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A queda acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil no período de 2015 e 2016 foi de 6,9%, mas passou dos 9% em 8 unidades da federação. Veja quais são elas:

Queda acumulada 2015/2016
Espírito Santo 12,3%
Sergipe 11,8%
Maranhão 11,5%
Amapá 11,1%
Pernambuco 10,5%
Amazonas 10,2%
Bahia 9,9%
Piauí 9,3%

O líder em queda foi o Espírito Santo. Segundo Camila Saito, economista da Tendências, a economia do estado é muito dependente da indústria extrativa, afetada em cheio pelo desastre da mineradora Samarco.

A barragem de Fundão que se rompeu é em Mariana, no estado de Minas Gerais, mas o efeito da lama atingiu em cheio o estado vizinho.

“Ainda há muita incerteza, mas a previsão é que a produção da empresa comece a mostrar uma retomada mais forte mais só para o final de 2019”, diz ela.

Chama a atenção o contraste entre dois estados vizinhos: de um lado, o Pará foi o segundo estado brasileiro menos afetado pela recessão, com queda acumulada de apenas 1,2%. Segundo Camila, a explicação está na maturação de vários projetos de mineração da Vale no estado.

Do outro lado, o Amazonas apresentou queda de dois dígitos. Um dos motivos é que grande parte da atividade do estado está concentrada na Zona Franca de Manaus, um pólo de produção de eletroeletrônicos, muito sensível ao ciclo econômico.

“A indústria em geral foi uma das mais prejudicadas no país. O mapa mostra que sofreram mais as regiões onde é maior o peso dos setores mais afetados, como automotivo, construção civil e bens de capital”, diz Camila.

As menores quedas de PIB estaduais foram de Roraima (-0,4%), do já citado Pará (-1,3%), do Distrito Federal (-4,2%) e do Acre (-4,6%).

Perto da média nacional (-6,9%) estão as duas maiores economias estaduais: São Paulo, com queda de 7%, e Rio de Janeiro, com queda de 6,6%.

O Rio compartilha com outros estados da federação, como Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, outro fator que é ao mesmo tempo causa e consequência da recessão: a crise fiscal.

“Isso prejudicou o desempenho. Em casos extremos como o carioca, por exemplo, o atraso no pagamentos de servidor afeta diretamente o consumo das famílias e a massa de renda”, diz Camila.

O corte dos investimentos públicos, que atingiram em 2017 seu menor nível em 50 anos como proporção do PIB, também teve o seu papel.

A região Nordeste, mais dependente deste tipo de recurso, tem vários estados entre as maiores quedas de PIB e a previsão de Tendências é que a recuperação deve ser demorada.

Os estados de Maranhão, Piauí e Bahia, especificamente, também sofreram com uma “quebra severa da safra agrícola” no período em questão, segundo a consultoria.

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