A realidade dos negócios brasileiros não é nada fácil: além de problemas com burocracia e tributação, os donos de pequenos negócios próprios não costumam receber incentivos governamentais para faturar, gerar novos empregos e movimentar o consumo.

A realidade não é diferente para quem faz parte do místico mundo da alta gastronomia. Henrique Fogaça, jurado do programa MasterChef (Band) e dono dos restaurantes Sal e Cão Véio, tocou diversos projetos: desde a expansão da primeira casa para o Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, até o franqueamento do segundo estabelecimento.

Porém, os próximos planos de Fogaça são outros, mais desvinculados do ambiente empreendedor brasileiro. Diante de tantos obstáculos, ele decidiu abrir sua próxima filial do Sal em Miami (Flórida, Estados Unidos) – além de investir em um canal no YouTube e em um curso online de cozinha para iniciantes.

“Além do meu interesse por Nova York, outro fator que pesou na minha vontade foi toda a situação que passamos por aqui”, afirma Fogaça ao Site EXAME. “Pensei em ir para fora para ter um pé lá e outro aqui, uma questão de tranquilidade, sabe?”

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Site EXAME – Como você definiria essa experiência de ser jurado do MasterChef desde 2014? Qual a importância do programa na sua carreira e para o desenvolvimento de seus restaurantes?

Quando começou o MasterChef, eu já tinha o meu restaurante [Sal Gastronomia] aberto há dez anos. Também já havia começado o Cão Véio, que já tinha planos de virar franquia. Tinha meu trabalho consolidado, mas a televisão pega todo o Brasil. Eu fiquei muito mais conhecido com o MasterChef, e representou uma alavanca para que as pessoas me conhecessem de forma nacional.

 

O Sal acabou de abrir sua primeira filial, no Shopping Cidade Jardim, e agora foi anunciado o plano de levar o restaurante para Miami. De onde surgiu a ideia para a expansão internacional e por que Miami?

Antes de começar o MasterChef, eu já tinha vontade de abrir algo em Nova York [Estados Unidos], por gostar muito de lá. Um amigo meu que é cozinheiro estava lá e seria meu chef de cozinha, mas se mudou para Miami. Aí eu também mudei os planos.

Ao mesmo tempo conheci o Fernando [Ludgero], que é meu sócio no Sal e cuida da parte administrativa. Ele também mora em Miami, então fechamos tudo já. É uma cidade litorânea e com muitos brasileiros, então também vemos um bom potencial.

 

Além do meu interesse por Nova York, outro fator que pesou na minha vontade foi toda a situação que passamos por aqui. Se você é um microempresário, você passa por fiscalizações absurdas, paga impostos com taxas altíssimas e não vê nenhum incentivo. Em todo país há essas coisas em certo grau, mas aqui é algo abusivo. A gente vê nos jornais e sente na pele. Não há a visão de que você gera empregos e melhora a sociedade. Pensei em ir para fora para ter um pé lá e outro aqui, uma questão de tranquilidade, sabe?

O MasterChef teve um peso grande em viabilizar isso, até porque também ganhei uma projeção internacional com ele.

 

Você imagina que enfrentará algum desafio específico em Miami, de aceitação do público até cardápio? A proposta do restaurante terá algum tipo de alteração?

Temos que nos adaptar um pouco ao público americano, apesar de Miami concentrar uma boa população de brasileiros. Cerca de 80% dos pratos serão iguais aos que já servimos.

A minha comida é de certa forma contemporânea, com toques brasileiros. Eu até a chamo de internacional, diante do tanto de clientes de lugares diferentes que eu já recebi no Sal e que elogiam os pratos: americanos, franceses, italianos… É nisso que eu baseio quando digo que podemos satisfazer clientes que venham de qualquer país.

 

Quando será a abertura do restaurante – e você pretende expandir ainda mais dentro dos Estados Unidos? De quanto será o investimento na primeira unidade?

Será em 2019. Ainda temos de ir a Miami fechar alguns contratos, mas está tudo engatilhado. A empresa com que estamos conversando para fazer reformas no local possui sede em Nova York e já sugeriu que, se der certo em Miami, podemos levar para Nova York também. Têm algumas conversas em andamento, mas só com o tempo poderemos dizer com clareza.

O investimento será de cerca de dois milhões de dólares na primeira unidade. Eu não tenho condições de arcar com tudo isso sozinho, então estamos buscando investidores também.

 

Além do MasterChef, você tem programas na televisão e postará vídeos na internet. Poderia falar um pouco sobre esses projetos?

Fiz um programa para o canal Discovery Home & Health já faz um tempo. Lancei na última segunda-feira (25) meu canal no YouTube, que mostra um lado mais solto meu. Faço dentro de casa, preparando comidas bem simples e mostrando meu lifestyle. Por isso, além da cozinha, o canal vai entrar em outros universos, como música e skate.

Você pretende ganhar algo, financeiramente, com esse canal no YouTube?

Quando você coloca no Facebook ou no Instagram, você tem visualizações mas não é diretamente remunerado. Já no YouTube, a partir dos seguidores e das visualizações, reverte-se em dinheiro. A ideia não é só essa, é fazer pelo prazer mesmo, mas vamos ver no que vai dar. Já gravamos seis vídeos e eu tenho uma boa expectativa, está bem legal.

Outro projeto remunerado será o de cursos online. Será um pacote de 16 aulas por cerca de 600 reais, com dicas básicas de cozinha. Darei aulas sobre caldo de frango; caldo de legumes; filé mignon e ponto da carne; frango; frutos do mar; molhos; e ovo frito, mollet e poché, por exemplo. Após a compra, a pessoa terá as aulas disponíveis por um ano.

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