Para as irmãs Sarah e Julinha Lazaretti, empreender foi uma necessidade. As duas fundaram em 1993 a Alergoshop, uma empresa que desenvolve produtos livres de substâncias nocivas para quem sofre com alergias. Investiram no negócio porque precisavam resolver um problema: Marina Lazaretti, filha de Sarah, sofria com dermatite atópica, uma doença que provoca coceira intensa em várias regiões do corpo.

À época, quando Marina tinha quatro anos, não era comum encontrar no mercado brasileiro opções de hipoalergênicos, produtos com menores chances de causar alergia. Entre os artigos procurados pela família, estavam cosméticos, produtos de limpeza e capas antiácaro. Foi nesse momento às irmãs decidiram aproveitar as suas formações para estruturar o negócio e encontrar uma solução.

Sarah trabalhava como enfermeira e a bióloga Julinha cursava a pós-graduação, focada exatamente no estudo de alergias. “A gente não tinha experiência em administrar um negócio, mas tínhamos essa expertise. Fomos batendo cabeça no começo”, diz Julinha.

Viram que, além de ajudar a sua família, podiam facilitar a vida de outras pessoas. No início, a empresa só revendia produtos hipoalergênicos importados. Com o tempo, começaram a desenvolver os seus próprios – processo realizado em parceria com médicos da clínica antialérgica onde Julinha trabalhava.

“Eu via que eles também passavam dificuldade na hora de indicar produtos para quem sofria com as alergias. Nos reunimos para pensar em soluções”, diz. Com a base teórica e a parceria dos médicos, as duas correram atrás de fornecedores para a produção dos artigos. Optaram pelos cosméticos na primeira fase da empresa.

A técnica utilizada pelas irmãs retirava dos produtos elementos capazes de causar as principais alergias, como dermatite e rinite. O processo ainda passava por testes organizados e supervisionados pelos médicos e o último passo era registrar o produto no Ministério da Saúde – a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não era o órgão responsável por esse registro.

“Os médicos desenvolveram um protocolo do zero para testar nossos produtos. Fomos os primeiros do Brasil, praticamente”, diz Julinha. Foi nesse momento que inauguraram a primeira loja, em São Paulo. A empreendedora conta que o sucesso foi tanto que recebeu pedidos de todo o país. “Era uma lojinha de 7 m².”

Julinha diz que desde a inauguração a Alergoshop só cresceu. Para atender a demanda – pessoas de todo o Brasil queriam vender e comprar os produtos das irmãs –, optaram pelo licenciamento de lojas para os empreendedores interessados. Chegaram a contar com mais de 20 unidades no país.

A empreendedora também conta que o Sebrae-SP foi essencial para a evolução da empresa. “Tem que ir fuçando e batendo a cabeça para encontrar a fórmula ideal. Foi uma complicação, mas conseguimos”, diz.

Depois de um tempo, repensaram o modelo: hoje trabalham com franquias e pontos de revenda. Ao todo, são quatro lojas próprias, nove unidades franqueadas e mais de 300 pontos onde os produtos da Alergoshop são comercializados. A empresa também atende via e-commerce.

Nos mais de 20 anos de negócio a empresa também expandiu seu portfólio. Hoje, a Alergoshop já conta com 200 produtos hipoalergênicos, entre diversas áreas de atuação. A empresa não abre o seu faturamento, mas Julinha afirma que em 2017 mais de 380 mil unidades foram vendidas.

A meta para 2018 é lançar novos produtos. “Sabemos que somos uma empresa de nicho e queremos nos especializar nisso. Este ano o objetivo é criar produtos novos para bebês e idosos.” A empreendedora também espera um ano melhor para os negócios. “2017 foi melhorando no final, mas contamos que 2018 seja bom o ano inteiro.”

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