Diego Santiago, 27, tinha dificuldades para fazer compras no supermercado quando se casou: sempre esquecia de algo ou se confundia com listas, o que não era nada prático. Ele tentou procurar formas de comprar os produtos pela internet, ou por aplicativos, e percebeu que nenhum atendia a sua região, em São José do Rio Preto (SP).

Com isso, começou a desenhar uma ferramenta que conseguisse atender a regiões menores. “Os supermercados de interior têm uma venda interessante dentro das cidades, mas não tinham aplicativos que atendessem toda essa demanda”, comenta.

Em 2018, ele iniciou os testes da plataforma em parceria com o Mercado Ceolin, em Barbacena (MG), uma cidade de pouco mais de 137 mil habitantes. O objetivo era ver se a ideia realmente seria validada pelo público e se teria potencial para crescer. “O resultado foi acima do que eu esperava. No ano seguinte decidi que ia expandir por franquias.”

Com franquia, marca tem um “dono local”
A decisão por aumentar a capilaridade do aplicativo por franquias foi justamente pela característica interiorana do negócio: ter um dono local. “Ajuda na captação e no atendimento. O franqueado é um cara nativo, que geralmente tem uma credibilidade na cidade. Geralmente é funcionário de outro segmento, concilia o negócio e acaba se encontrando com a franquia do Taki”, explica.

Atualmente, a rede tem 25 unidades em 12 estados. No ano passado, em menos de doze meses como franquia, a empresa faturou R$ 600 mil. Para 2020, a expectativa é chegar a 100 unidades e faturar R$ 5 milhões. 

O negócio de Santiago é atender cidades pequenas, com até 200 mil habitantes. Ele não pretende levar o Taki para brigar em grandes metrópoles. De acordo com o empreendedor, já existe uma guerra de aplicativos em municípios como São Paulo, e muito potencial para explorar em outras localidades. “Preferimos focar em cidades que têm economia muito grande, mas que não têm ninguém para atender. Escolhemos as que são economicamente ativas, independentes de grandes capitais. A cada semana nos deparamos com uma oportunidade nova.”

Aplicativo não cobra taxa adicional para o cliente nem mensalidade
O Taki e o Rappi são aplicativos com metodologias parecidas, mas Santiago acredita que as ferramentas se diferenciem no propósito. De acordo com ele, o Taki é mais parecido com um marketplace do que uma solução de delivery. Já são mais de 150 mil itens cadastrados.

“O Rappi é uma empresa de logística. A taxa que eu levo para o meu lojista hoje é uma das menores do mercado de aplicativos. Eu não cobro taxa de entrada, nem mensalidade. Apenas de 2% a 10% sobre o que ele vender dentro da plataforma. Com isso eu não viro sócio, viro um parceiro, um canal de vendas”, explica.

Ferramenta foi reformulada para se adequar à LGPD
Como o aplicativo ainda está no início das operações, Santiago já quis assegurar que ele expandisse de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que passa a vigorar em agosto deste ano. 

“Hoje estamos com cerca de 40% no nosso sistema interno já avançado, esperamos finalizar até junho. Precisávamos melhorar a experiência do usuário e tornar o processo de compra mais simples, aí já aproveitamos para iniciar o processo de migração por conta da lei.” O valor desembolsado nessa reformulação foi de R$ 300 mil. Ele estima que todo o investimento feito na plataforma, desde a criação, tenha sido de R$ 1,5 milhão.

A LGPD foi aprovada em 2018 e medeia as atividades de tratamento de dados pessoais em transações entre clientes e empresas. A regulamentação foi baseada na lei europeia General Data Protection Regulation (GDPR) e alterou dois artigos do Marco Civil da Internet.

Franqueados podem atender mais de uma cidade
Justamente por ser uma ferramenta para cidades pequenas, o Taki pode atravessar fronteiras. Santiago conta que a franqueada de Rio Branco (AC), por exemplo, já atende também a região de Porto Velho (RO). Ele adianta que mais dez franqueados devem fazer o mesmo movimento a partir de abril.

Recentemente, a Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou o ranking das 50 maiores franquias em operação no Brasil, em 2019. Aplicativos de delivery já figuram na lista, como o Ceofood, que é uma espécie de “iFood do interior.”

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