As dificuldades do mercado de estética na pandemia inspiraram o casal de empreendedores Caio Rodrigues e Natalia Ribeiro, donos da rede de franquias Mais Top Estética, que tem 63 unidades abertas, a criar um novo modelo de negócio: o Express. O formato consiste em uma microfranquia com investimento inicial de R$ 58 mil. A ideia éatrair pessoas que tenham perdido emprego na crise.

A rede desenvolveu o modelo no último mês de abril, no início da pandemia. Testou e já vendeu dez unidades. “Entramos em contato com os fabricantes da tecnologia de que somos parceiros para trazer um formato mais em conta, em um tamanho menor, e atender a demanda do momento”, afirma Rodrigues.

No novo modelo, o franqueado pode abrir a empresa como Microempreendedor Individual (MEI) e ter acesso aos mesmos equipamentos e processos das clínicas, como Radiofrequência, Ultracavitação e Tekah Evolution, além de uma maca portátil, que permite a realização de cerca de 30 tratamentos diferentes. Entre os serviços oferecidos estão redução de medidas, flacidez, estrias, peeling facial e limpeza de pele.

As microfranquias têm sido destaque no sistema de franquias há alguns anos, impulsionadas pelo crescimento do MEI, mas também pelas crises econômicas do país.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o número de marcas atuando com modelos mais enxutos cresceu 14% entre 2018 e 2019 e chegou a 673. O segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar lidera, com 116 redes e aumento de 21% entre os dois anos analisados – o segundo maior do setor.

Franqueado precisa ter “mentalidade de dono”

O objetivo da Mais Top Estética com o novo modelo é entrar em um mercado que já existe, mas não é profissionalizado: o da estética em domicílio. Hoje já existem profissionais individuais que prestam esses serviços, mas Rodrigues diz ver a oportunidade de entrar no segmento com uma marca, “o que dá mais segurança para o empreendedor e para o cliente”.

O intuito, porém, é que o franqueado tenha autonomia sobre o próprio negócio. Para se certificar de que o empreendedor tenha a “mentalidade de dono”, a Mais Top pretende estimular que o franqueado entre com a microfranquia, mas cresça a ponto de ter uma unidade física própria. “Ele não precisa ser da área, pode comprar a franquia e contratar a funcionária que vai atender o cliente.”

O franqueado pode, inclusive, alugar uma sala para atendimentos, de acordo com a demanda. Mas esse custo não está previsto no investimento inicial total da franquia. 

Rodrigues comenta que as vendas de vouchers digitais para utilização na reabertura das clínicas têm ajudado as franquias da marca a superar a crise. De acordo com ele, 86% das unidades passaram pelo período com lucro. Atualmente, o faturamento da rede vem de serviços – os produtos respondem pelos outros 5%.

Imprimir