O ano ainda não está normal, mas o varejo continua sua recuperação. O volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto deste ano, segundo novos dados divulgados pelo IBGE.

Com o resultado, o indicador atingiu o maior patamar em 20 anos, desde que começou a série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, em 2000. O recorde anterior era de 2014.

Foi a quarta alta consecutiva do indicador do varejo, após quedas bruscas em março e abril diante da pandemia e do começo das medidas de isolamento. Depois de maio, o varejo voltou a ver alta no volume de vendas e se beneficiou com a reabertura gradual do comércio e vendas em plataformas físicas e online.

No relatório sobre os resultados do varejo, Arthur Mota, economista da Exame Research, casa de análise de investimentos da EXAME, aponta que o setor “segue superando a pandemia”. “O comércio varejista é o primeiro setor, reflexo do auxílio emergencial, que retornou a seu nível pré-crise”, avalia o economista.

O resultado de agosto foi melhor até mesmo do que no mesmo mês de 2019, quando ainda não havia pandemia. O crescimento em relação a agosto do ano passado foi de 6,1%.

Ainda assim, o ano de 2020 segue no negativo para o varejo: no acumulado, o setor ainda está em baixa de 0,9%. Mas a baixa já chegou a ser de 4% em maio, mês em que se iniciou a recuperação.

O comércio varejista é o primeiro setor que retornou a seu nível pré-criseArthur Mota, economista da Exame Research

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e de material de construção, a alta foi de 4,6% em relação a julho. Na comparação com agosto do ano passado, o setor cresceu 3,9%, mas ainda acumula perda de 5% em 2020. As maiores altas dessa categoria em agosto foram nos materiais de construção (3,6%) e nos veículos, motos e peças (8,8%).

Na passagem de julho para agosto, cinco das oito atividades medidas pelo IBGE tiveram alta:

  • tecidos, vestuário e calçados (30,5%)
  • outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,4%)
  • móveis e eletrodomésticos (4,6%)
  • equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,5%)
  • combustíveis e lubrificantes (1,3%)

Já as perdas vieram em alguns setores que foram bem nos meses de pandemia e agora desaceleraram, como produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%) e artigos farmacêuticos, que inclui cosméticos e materiais médicos (-1,2%). O setor de papelaria, incluindo livros e revistas, esboçou uma recuperação nos últimos meses mas teve queda brusca em agosto (-24,7%).

A vida sem auxílio emergencial

O desafio é fazer as vendas continuarem subindo mesmo com a redução do auxílio emergencial, que passou de 600 para 300 reais neste mês de setembro. Assim, os dados do impacto da redução serão conhecidos nos próximos relatórios do varejo. Outro desafio que pode afetar as vendas é a recuperação ainda lenta das vagas de emprego fechadas pela pandemia.

Apesar disso, a projeção dos analistas é que o varejo tenha crescido no último mês.

“Resultados preliminares já apontam para novo crescimento em setembro, embora em menor ritmo”, diz Mota no relatório sobre o setor. “Teremos um impacto da redução do auxílio emergencial, mas seguimos com boas expectativas para o setor.”

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